Destino e Literatura


Kismet é sinônimo de destino ou fado. Grande parte da literatura afirma que o destino de cada pessoa é influenciado por dois fatores importantes: karma e dharma. Karma representa as ações da vida e as lições que devemos aprender para corrigir nosso destino, enquanto dharma significa viver de acordo com nosso destino ou com o dever que devemos cumprir nesta vida.

Deus criou cada um de nós por uma razão e devemos cumprir os deveres que nos foram dados em vez de ficar apenas descansando. Por isso, é nosso dever cumprir o propósito da vida por meio da oração, do esforço para nos aproximarmos de Deus e da realização do que se espera de nós. Uma pessoa que escolheu uma vida dominada pelo álcool não alcançará seu destino até mudar de direção e reconstruir sua vida.



Destino e Literatura

Há livros, como a Bíblia, que dizem que todos nascem para realizar algum trabalho. Mas se alguém nasce com riqueza suficiente para não trabalhar por duas ou três gerações, o que acontece? Se essa riqueza for perdida, o dever de trabalhar reaparece. O budismo Mahayana fala do alaya, entendido como um depósito de consciência onde o karma é armazenado. O karma guardado ali depende de nosso comportamento desde o nascimento. Seus efeitos podem aparecer nesta vida, na próxima ou mais tarde. O karma acumulado em vidas passadas também pode estar ligado às coisas boas e ruins desta vida. A morte não encerra o karma; ele pode seguir para vidas futuras até que seus efeitos sejam equilibrados. Assim, uma pessoa nasce com karma do passado já acumulado nas profundezas da vida, ou alaya.

Segundo a literatura, a duração da vida pode mostrar como o karma passado influencia o presente. A história cita o rei Ajatashatru, Ch’en Chen e bodhisattvas que teriam prolongado a vida por meio do Sutra de Lótus e da transformação do karma. O budismo afirma que, embora todos tenham de morrer um dia, ações para promover o ensinamento correto podem reduzir a retribuição do karma e alterar o momento e a natureza de seus efeitos. Essa ideia difere de algumas filosofias ocidentais que consideram o destino fixo. Para o budismo, compreender a causa do sofrimento não basta; é preciso criar novas causas positivas que o aliviem. Assim, mudar o karma pode melhorar e prolongar a vida.

Algumas religiões mais recentes afirmam que escolhemos nossa vida antes de nascer e que Deus já estabeleceu um plano para ela. Na conversa com o profeta Jeremias, Deus diz que já o conhecia antes que fosse formado no ventre de sua mãe. Mas se tudo é predestinado, por que nos preocupar com a vida ou o futuro? Todos enfrentamos problemas como punições ou testes que podem nos aproximar de Deus. O essencial é não perder o rumo na luta por nosso objetivo. Como diz o provérbio, «colhemos o que plantamos»: bom karma traz coisas boas e mau karma traz coisas ruins. A lei da colheita idêntica afirma que os efeitos de nossos pensamentos se parecem com esses próprios pensamentos, como o milho produz milho e a manga produz mangas. Os acontecimentos do mundo, mesmo quando não visíveis aos nossos olhos, estariam submetidos a uma força suprema.

A maior parte da literatura e das religiões aconselha a não perder a fé em Deus, continuar avançando em sua direção, manter o otimismo, trabalhar duro e aceitar o preço do que realmente desejamos. O pessimismo pode nos afastar de Deus. Cada pessoa teria um padrão de destino e, ao ajudar outras pessoas direta ou indiretamente, podemos acabar em problemas sem solução. Por isso, precisamos verificar se nossa ajuda é realmente útil e não acrescenta mais peso às dificuldades existentes. Quando percebemos que estamos nos afastando do caminho de nosso destino, é sensato mudar de rota e voltar à direção correta. Assim, por tentativa e erro, aprendemos a seguir o plano traçado por Deus e finalmente nos aproximamos do divino.

Links relacionados