Na religião islâmica, kismet significa a vontade de Alá e as pessoas acreditam que o plano divino de sua vida é governado pelo kismet. Por outro lado, o texto também afirma que cada indivíduo é responsável por seu próprio destino com base em suas ações. A diferença apresentada é que, em uma interpretação, podemos alterar nosso destino por meio de nossas atividades, enquanto na outra o destino é predeterminado e não pode ser mudado.

Os sistemas jurídicos punem os culpados quando os atos são praticados por livre vontade, e o capitalismo recompensa a iniciativa. Tudo o que fazemos diariamente resulta das decisões que tomamos antes de agir; depois que uma decisão é tomada e colocada em prática, já não há possibilidade de ter ocorrido de outra maneira. O capitão de um navio é responsável pela segurança da viagem, embora só tenha controle físico e mecânico sobre a embarcação.
Nem sempre percebemos que existem outros fatores externos que também governam a segurança do navio. Assim, todos temos livre-arbítrio, mas ele opera junto com uma força superior; esse fator externo é o que chamamos de fado ou destino. Cada ato de vontade altera aquilo que, de outra forma, teria acontecido, de maneira definitiva. Um simples «bom dia» sorridente para uma pessoa que vai a uma entrevista pode inspirá-la, deixá-la feliz e fazer com que trate bem outras pessoas. Toda essa sequência pode começar com esse pequeno gesto.
Embora kismet fale de boas e más ações, costuma ser considerado uma palavra positiva. O karma diz que nosso destino é determinado por nossas ações, enquanto o kismet é apresentado como o próprio destino. Temos a tendência de perceber as coisas pelo nosso ângulo e pelo que ouvimos sobre elas, mas muitas vezes deixamos de vê-las como realmente são. O positivo só é reconhecido porque existe o negativo; assim, o negativo também pode se tornar positivo. Muitos muçulmanos acreditam que tudo o que acontece em sua vida ocorre pela vontade de Alá e que estão destinados a esses acontecimentos particulares.
O texto apresenta como um equívoco acreditar que tudo é decidido por Alá: afirma que apenas duas coisas, o nascimento e a morte, são decididas por Alá, enquanto o restante depende do livre-arbítrio individual. Segundo essa apresentação, nosso destino não é controlado por Alá, mas por nós mesmos. Embora Alá saiba o que vai acontecer conosco, ele apenas mostra o caminho certo e o errado e cabe a nós escolher de acordo com o livre-arbítrio.
Às vezes acontece, quase milagrosamente, de encontrarmos de repente uma solução para nossos problemas. O texto chama isso de Providência, a ideia de que Deus cuida de nossas necessidades terrenas, embora normalmente não percebamos isso. Não devemos usar a Providência como desculpa para evitar cuidar das necessidades terrenas, mas exercer o livre-arbítrio, às vezes auxiliado pelo fado. A sorte só pode ser considerada em comparação com outras pessoas e não é igual para todos; pode ser favorável ou desfavorável.
Cada um de nós nasce em condições diferentes, com natureza diferente, e leva um estilo de vida diferente. Todos seguimos caminhos distintos e, segundo o texto, escolhemos as lições que aprenderíamos ao longo do nosso caminho. Invejar a fortuna dos outros não leva a lugar algum; devemos nos concentrar em aproveitar ao máximo nosso próprio caminho, sabendo que o percorremos por uma boa razão. Toda pessoa nasce para viver, que é o desejo básico do ser humano. Esse desejo busca ultrapassar o fado por diferentes meios.
